Diwali, uma Igreja na Itália, Sita, Rama e a Luz Divina #2

16 de setembro de 2026

Tem uma força maior que está sempre nos guiando em direção a luz divina. Essa é a força de Rama. É materializar o milagre, e nos mostrar que o ímpeto do bem é como uma onda que sempre nos direciona ao mar da consciência. O que parecia impossível torna-se alcançável, pois não existe diferença alguma entre o que a mente pensa e o que ele faz, lembrem-se disso. 

Citta é um portal límpido pulsante que vibra na mais alta liberdade; lá mora a nossa verdadeira essência. A bússola de buddhi, a nossa inteligência superior refinada, quando bem polida nos traz insights sobre quem de fato somos. Não somos nossos traumas, nem medos, nem aflições, sofrimentos, e narrativas sem fins. Somos em essência um rio límpido de amor. 

O amor é livre e amar e espalhar o amor é a melhor forma de semear nosso potencial verdadeiro. Com saúde, abundância, beleza divina, prosperidade e luz conseguimos não só iluminar nós mesmos mas todos a nossa volta. 

No domingo passado o venerado Diwali foi celebrado, este belíssimo anual festival das luzes que marca a vitória do bem (luz) sobre o mal (escuridão), na qual o venerável e justo guerreiro Rama (incarnação do Deus Visnu) junto a seus aliados (ursos, macacos e animais da floresta) ganham a batalha demoníaca da ignorância sobre Ravana, o poderoso ganancioso yogi rei do Sri Lanka. Depois de ser exilado por 13 anos na floresta junto a sua amada consorte Sita (incarnação de Laksmi) e seu honrável irmão Lakshaman, Rama corta as 10 cabeças de seu enigmo numa batalha árdua, e com a ajuda do Deus macaco Hanuman, recupera Sita que havia sido raptada e aprisionada no palácio materialista de Ravana. 

Domingo passado depois de ter terminado meu workshop na Itália resolvi sair para dar uma volta na cidadezinha local – aquelas que ainda colocam na parede da praça fotos em um sulfite daqueles que acabaram de partir. A terra parece mais perto do céu nessa parte do mundo e gosto de pensar que aqui estou mais próximo dos anjos. Humanos trajados de roupas medievais, sanfonas, bandeiras vermelhas, verdes e brancas, pernas de pau e crianças com pirulitos na mão e sorriso no rosto, faziam da realidade a minha frente um conto histórico de filme. As vezes me confundo, será que o filme é a realidade ou a realidade é um filme? (Risos).

Enquanto perambulava sem GPS ou mapa algum me deparei com uma igreja no “mero acaso”. A porta estava fechada, porém fiéis já se reuniam para a missa de domingo que estava prestes a começar.

Me acomodei em um dos cantos e comecei minhas orações da forma com que aprendi com meus pais e avós. Sentei novamente no banco enquanto contemplava a harmonia do altar e a mescla intensa de cores entre dourados, pinturas a óleo e veias de madeira.

A pintura no céu da igreja era magnífica e me lembrou a capela cistina. Bravo! Minha vontade era fazer sarvangasana e manter meu drsti no teto por 25 respirações, mas aparecer nas manchetes de Mirano, ofender o clero e ser deportado talvez não seria um bom karma evolutivo.

Enquanto me perdia na arte avistei na minha esquerda uma bela imagem de nossa senhora e um altar com velas. Eu estava em busca de uma vela, pois segundo a tradição no dia de Diwali devemos ascender uma vela próxima à janela mantê-la durante a noite toda. Quando Sita e Rama saíram do Sri Lanka, as pessoas nos vilarejos foram ascendendo lamparinas para ajudá-los a achar o caminho de volta em direção ao império de Ayodya.

Acender uma velinha é uma forma singela de atrair Laksmi, a energia da prosperidade e luz, para guiar o nosso caminho para que possamos voltar para nossa casa: o deleito da consciência pura – o reconhecer de que somos Atman. Ascender a vela significa pedir prosperidade, abundância, luz e bençãos para a nós e a humanidade. Ali sabia o porque havia ido à igreja.

A luz sempre nos chama para casa. Porém o material também. O ego é como um alto falante as alturas que ensurdece a consciência e quer vetar o reencontro do Atma com o Paramatma, de Prakrti e Purusha, de Sita e Rama de você com Deus. Em essência somos luz, e há uma voz profunda dentro de você ecoando a todo instante: vai, a luz te espera, beba do néctar divino.

O caminho com ajuda é muito mais fácil e essa força tremendamente gigante se chama buddhi, e nesse conto (no conto de Ramayana) é representada por Hanuman. Buddhi é a inteligência pura que revela a nossa natureza e traz compressão de que não somos a matéria, e que há algo por trás da “grande comédia” da vida apenas sendo.

Ravana, o demônio, quer controle, apego. Ele já tinha inúmeras mulheres, mas ele queria exclusivamente a de Rama. Ravana tinha muito dinheiro e ofereceu tudo de mais material que qualquer pessoa gostaria de ganhar: diamantes, bolsas de luxo, mansões, carros, jóias…

No entanto, quando se sabe o que de fato verdadeiramente importa na vida, nosso drsti não oscila nem por 1 segundo para o lado das trevas.

Essa é a força de Sita, a força daquela que vibra na real prosperidade. Essa é a maior riqueza que podemos ter, sabermos quem somos. Sita não aceitou absolutamente nada de Ravana, pois estava convicta de que Rama iria resgata-la.

A consciência de Rama, que representa a onipotência divina, está sempre a nossa busca nos lembrando de quem somos. Essa é a força do dharma. Podemos ir no shopping, num bar, ou ir em um templo rezar ou estar com a nossa família.

O reencontro de Sita e Rama na verdade é o reconhecer atemporal que vive na espera latente dentro de nossos corações.

Que o Dharma vença e volte a se estabelecer. Luz na vida de todos vocês meus queridos.

Não poderia ter sido melhor ter completado mais uma volta ao sol ensinando o dharma e celebrando o Diwali no dia 12 novembro.

Harih Om 💛

Raphael Melo

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